170 anos de Missão!

Por volta de 1839, Edmundo inicia uma vasta atividade social e literária. Sua vida e atividade concentra-se na região de Gostyn, onde 70% da população era camponesa. Das simples atividades literárias passou a um intenso programa de solidariedade cristã. Nascem assim as bibliotecas rurais, as salas de leitura, as escolas infantis, a assistência escolar e de saúde e outras iniciativas. Iniciativas que foram se estendendo em várias regiões da Polônia.

Desta forma, a germanização na qual o governo prussiano havia envolvido também a Igreja, não obteve êxito em querer destruir a religiosidade popular. Esta força destruidora passa a se configurar como polo de agregação nacional e campo de trabalho para o clero que exercia notável influência (1848).

Mesmo em meio a estas forças contrárias, Edmundo não se retirou de seus compromissos com a sociedade, de modo especial, em Poznan. Sem o saber, começava a se delinear o caminho sob o qual se estampará, sempre com maior decisão, as pegadas do Senhor.

Assim como vivemos hoje com a Covid-19, em 1830 inicia uma forte epidemia de cólera, transmitida também por causa da contínua transferência de soldados militares. Na região de Gostyn, esta epidemia chegou em 1849. O cenário era desolador. Especialmente os idosos e os mais debilitados morriam sem a possibilidade de recursos médicos. As crianças eram abandonadas e com facilidade contraiam a doença.

Este momento de muitas mortes e consequentes abandonos, desamparo, orfandade, comove profundamente Edmundo. De maneira especial seu coração estava voltado para as crianças órfãs. Dizia: “Quando um passarinho cai do seu ninho, nos comovemos com o seu piar choroso. Então, como podemos ficar indiferentes diante de um órfão que chora?”.

Na Polônia, as creches surgiram nos territórios ocupados pelos Austríacos. Somente em 1839, em Poznan, a primeira Creche ganha vida sob o planejamento e coordenação de Edmundo. Esta iniciativa estimulou outras fundações de escolas infantis. O pensamento que norteava Edmundo era: “Pelas crianças é preciso começar a regeneração da humanidade”.

A esta missão, Edmundo atribuiu papel especial à mulher. Tanto no âmbito da educação quanto da saúde, convida mulheres da região, prepara-as e confia a elas a tarefa de cuidar e educar os pequeninos, resgatar o valor da mulher no campo, elevar a moral e as práticas religiosas e estender os cuidados aos doentes abandonados em suas casas. Para os doentes, montou um pequeno hospital. O bispo do local, abençoou o hospital. Para conseguir recursos, a fim de manter estas obras, fundou o Instituto de Gostyn e o chamou de Casa da Caridade. Entre os membros deste Instituto, estavam autoridades civis e eclesiásticas.

Em 1850, sentiu-se chamado a estruturar melhor os trabalhos para que tivessem certa estabilidade no tempo. Ele escreve ao Padre Mariano Kamocki: “Com as mãos vazias, mas com o coração cheio de fé na misericórdia divina, iniciaremos esta obra”.

No século XIX, também na Polônia, a Igreja constatou um notável florescimento  de famílias religiosas, ligadas às urgências da caridade cristã, à formação da juventude e a toda uma série de situações ético-sociais.

Após o restabelecimento do diálogo entre a Igreja e o Estado (1850) houve a necessidade de revitalizar antigas Instituições Religiosas oprimidas durante a secularização.

Uma das Instituições femininas mais significativas, na segunda metade do século XIX, foi a de Edmundo. Desde o tempo da sua atividade em relação a epidemia na Casa da Caridade, Edmundo havia amadurecido a ideia de fundar Creches rurais. Após isso, se ocupou em abrir o Noviciado para a formação das futuras Irmãs Servas de Maria. Porém, um novo surto da epidemia, fez com que este projeto fosse adiado para mais tarde. As dificuldades não desencorajaram Edmundo, pois ele confiava totalmente na vontade do Senhor. Ele se pôs a esperar, enquanto preparava o necessário para a abertura do Noviciado em Podrzecze.

Em 03 de maio de 1850, em Gostyn, o jovem Edmundo Bojanowski, com as primeiras três moças, pôs as bases da Congregação. Devido o seu profundo amor à Virgem Imaculada, faz uma homenagem a ela dando à Congregação nascente o nome: Congregação das Irmãs Servas da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria.

A Polônia, no dia 03 de maio celebra a exaltação da Santa Cruz e recorda a data da Constituição de 1791, a primeira redigida por escrito. Ao escolher esta data, Edmundo quis reforçar a importância religiosa e social das Escolas Infantis, das quais se esperava a reconstrução de uma nova sociedade.

A notícia da fundação da Congregação percorreu toda a Polônia e também nos países vizinhos. Neste tempo o número de aberturas de casas cresceu significativamente. Na parte central de Poznan chegou a 35 obras, 14 em Galícia, 2 no Reino da Polônia e 4 na Silésia. Estes números ilustram e confirmam a validade e a necessidade das obras de Bojanowski em favor das crianças, dos pobres e dos doentes. Edmundo dedicou-se completamente a animação e formação das Irmãs nas obras. Elaborou com muito cuidado Programas Pedagógicos para a educação das crianças e das suas famílias. Contudo, esta intensa atividade, não dificultou reservar considerável tempo para a adoração ao Santíssimo Sacramento, à participação nas Celebrações Eucarísticas e outras orações.

Edmundo permanecia em estreito contato com as irmãs através de diversos momentos de formação.  Falava com elas sobre sua vocação mostrando a grandeza desta e encorajando-as a levar uma vida seguindo a Cristo. O amor pela cruz e a abnegação foram as atitudes fundamentais para uma vida religiosa plena.

Assim, a jovem Congregação se aprofundou no espírito de seu Fundador capacitando-se a prestar bem o seu serviço às pessoas a ela confiadas. A presença do Fundador irradiava harmonia. Era contagiante seu entusiasmo pelo trabalho na vinha do Senhor. Sua alegria em relação a tudo o que era bom e belo conquistava os corações das irmãs e do povo. A Congregação foi aceita como fazendo parte do povo, sobretudo por não se diferenciarem das outras mulheres da aldeia. O sinal que as identificavam era a cruz no peito e um rosário no cinto.

Em cada fundação de obras, Edmundo ficava profundamente comovido. Sempre era celebrada a missa com muita solenidade. Dizia: “Eu já não rezava mais com palavras e pensamentos, mas com o próprio coração e com a plenitude da alma”.

Mas, Edmundo e sua Congregação, passam a viver um dos momentos mais difíceis no período do florescimento da Instituição. As dominações estrangeiras na Polônia forçaram a divisão da jovem Congregação. As fundações que estavam fora da parte central de Poznan foram obrigadas a seguir em frente de forma independente. Todavia, seguiram nos caminhos da espiritualidade e da missão entregues pelo pai Edmundo. Estas fundações permaneceram unidas no único projeto do Fundador concretizado na Polônia e na Europa. Também nesta situação, Edmundo via os desígnios do Senhor.

Deste tronco robusto, nascem três ramos igualmente robustos. As quatro Congregações das Servas de Maria são.

  • Congregação das Irmãs Servas de Maria de Wiellkopolska;
  • Congregação das Irmãs Servas de Maria de Stara Wies;
  • Congregação das Irmãs Servas de Maria de Silésia;
  • Congregação das Irmãs Servas de Maria de Debica.


Todos os ramos reconhecem Edmundo Bojanowski como o único Fundador.

A vida de Edmundo Bojanowski e a história de sua fundação nos dizem muito sobre sua expansão, mas o fator mais importante foi sua espiritualidade transmitida às irmãs como herança espiritual. Para a Serva de Maria, toda a missão deve ser realizada no espírito de amor e serviço segundo o exemplo de Maria. Este espírito é fundamentado pela vida e ação do fundador. Em seu testamento diz: “Recomendo, sobretudo, a simplicidade. Enquanto for mantida, a Congregação terá a bênção de Deus.” Maria, o modelo desta simplicidade, se deixou conduzir por Deus sem reservas e, justamente na sua entrega de amor como “serva”, encontra o pleno desenvolvimento e realização de sua vida.

Desejamos ser discípulas de Jesus na escola de Maria, a Serva do Senhor.