JUNHO

 A FESTA DO AMOR

 

Texto bíblico: Jo 2,1-12

 

Reflexão:

A narrativa das Bodas de Caná nos apresenta muitos elementos simbólicos para a compreensão da missão de Jesus e da participação da Mãe Maria nesta missão. Houve uma festa de casamento em Caná. Maria estava lá e Jesus com seus discípulos foram convidados. Maria aparece como Mãe de Jesus no inicio de sua vida pública. O Filho parece ter sido convidado por causa da Mãe.

Maria, a mulher presente nas núpcias é reconhecida como intercessora e evangelizadora. Como intercessora Maria é a presença atenta para que não falte nada que impeça a alegria da festa. Como evangelizadora Maria indica a missão dos serventes. Ela é o elo entre o discípulo (a) e Jesus. Ela mostra a maneira de proceder para ter o melhor vinho.

Em Caná, Maria compreende que sua missão é conduzir os servos a seu Filho, a escutar Sua palavra e obedecer-Lhe plenamente. Maria sabe que a obediência à Palavra de Deus é fonte de benção. Repleta de confiança, ela tem a certeza de que Jesus vai atender a seu pedido e diz aos servos: “Façam tudo o que ele lhes disser”. É a forma de convocá-los a assumirem sua missão na fé, como ela. A fé faz ter certeza de que a festa continua. Com Jesus a festa não acaba e o vinho não vem a faltar. Ao transformar a água em vinho, Jesus transforma tudo em alegria, garante a continuidade da festa.

Maria é admirável em dois pontos: primeiro percebe o problema humano, isto é, a festa do amor ameaçada; assume o problema e o faz seu, solidarizando-se com a dificuldade humana, depois, vai ao Filho por que ela O conhece; o fato de ir a ele muda por inteiro toda a história das núpcias. Já estamos passando das núpcias de um casal humano as núpcias do Messias; de uma festa local passa-se à festa do céu e da terra. Jesus irrompe como o personagem central, e é a iniciativa de Maria que o coloca no centro. É ainda Maria quem faz com que os serventes obedeçam a Jesus: “Façam tudo o que ele lhes disser”. [1]

Maria é a mulher sábia que reflete “sobre as coisas” em seu coração. No silêncio interior, onde penetra a voz de Deus, penetram também as fraquezas da humanidade, fraquezas que, neste silêncio só deveriam ser vistas com olhos puros e bom coração. “É um milagre do qual nós mesmas podemos ser testemunhas: olhar com bons olhos e amor as pequenas vicissitudes dos outros; é o milagre do amor verdadeiro, do vinho novo que alegra o coração”. [2] 

Na vivência da virtude da humildade precisamos aprender de Maria. Como nas Bodas de Caná, quando Maria expressa seu pedido de forma humilde “eles não tem mais vinho” (Jo 2,3) também pode ser nossa atitude diante de Deus. Maria, como humilde serva do Senhor confia em inteiramente Jesus porque o conhece. Aqui ela é para nós modelo de oração.

O Bv. Edmundo, fundador da Congregação, entendia que cada Irmã espelhando-se em Maria devia colocar-se a serviço da humanidade na missão a ela confiada com o coração aberto, humilde e acolhedor numa atitude constante de Serva deixando-se conduzir pelo Espírito afim de “Fazer tudo o que ele disser” (Jo 2,5). Nossa missão tem sua fonte na missão de Cristo que nos chama e envia a servir na humildade e simplicidade. O próprio Edmundo viveu na prática o mandato de Maria, pois, inspirado por ela, decididamente faz o propósito de fundar amparos que fossem ao encontro das crianças mais necessitadas.

Fazer tudo o que ele disser” é cultivar uma atitude de prontidão e de escuta interior, a fim de viver e perseverar naquilo que aprendemos nos encontros com Jesus.

Partilha: A partir do texto bíblico e reflexão partilhamos:

1. Que “vinho”, que qualidade de vida ofereço?

2. Sou capaz de deixar que o vinho novo transborde?

3. Como concretizo na vida e missão o “Façam tudo o que ele lhe disser”?

4. Maria percebeu a falta de vinho. Somos sensíveis na construção de um mundo melhor?

 

Oração

“Maria, mulher atenta em Caná,faze de nós pessoas com olhos abertos e mãos disponíveis.A humanidade sofre por falta de pão e pela ausência de vinho.

Necessitamos do vinho da alegria e da esperança,de uma vida com sentido, com sabor, com beleza.Cada vez mais homens e mulheres se embriagam com o vinho ruim da falsa felicidade.

Distanciam-se de Deus e de seus semelhantes.

Poluem e destroem a natureza.

Maria, dá-nos o vinho de Jesus.

Que ele transforme nossas existências, da mesmice para a qualidade,

da indiferença para a fé apaixonada.

Que ele multiplique o nosso amor,

pois as talhas do nosso coração são rígidas e imperfeitas.

E que assim, crendo nele e fazendo a sua vontade,

nós inauguremos nesse mundo a festa da fraternidade e da alegria,

que só se consuma no céu. Amém.” [3]



[1] BIGOTTO, Giovanni. Esplendor da Mãe: Maria de Nazaré no coração da Igreja e na vida do povo. São Paulo: Paulinas, 2011.
[2] BACCARANI, Alfonso M. Maria  caminha conosco. São Paulo: Paulinas, 1994. Pg. 144.  
[3] MURAD, Afonso. Maria, toda de Deus e  tão humana. São Paulo: Paulinas, 2004. Pg. 67.
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