Bv. EDMUNDO BOJANOWSKI

 UM SER HUMANO PLENO DE COMPAIXÃO 

“É PRECISO TOCAR A MISÉRIA COM AS PRÓPRIAS MÃOS”

                                                  (Edmundo Bojanowski)

No vigésimo primeiro ano de Beatificação gostaria de falar um pouco a respeito deste homem chamado Edmundo Bojanowski: um leigo, polonês, fundador da Congregação das Irmãs Servas da Imaculada Conceição da Virgem Maria, em 3 de maio de 1850, na Polônia. Foi beatificado em 13 de junho de 1999 em Varsóvia. A Fundação da Congregação aconteceu em meio a uma Epidemia de Cólera, que deixou muitos doentes, muitas crianças órfãs abandonadas e muita miséria.

O ponto central da vida diária de Edmundo era a Eucaristia. Percorria 3 quilômetros para chegar à Igreja, mesmo que tivesse muita neve, barro, chuva. Deslocava-se a pé. Sempre teve a saúde muito fragilizada por uma doença pulmonar. Sentia quando não tinha condições de caminhar até a Igreja. Permanecia por longo tempo diante do Santíssimo Sacramento desenvolvendo em si uma intensa vida espiritual e vivência eucarística. Edmundo transformava a Palavra de Deus em vivência prática na sua vida.

No dia da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição – 08 de dezembro de 1854 – Edmundo escreveu: “Passei o dia de hoje de uma maneira muito linda (...). Comecei minha devoção com a vela e junto com a vela terminei”. Grande devoto da Mãe de Deus, sendo curado, quando criança por intercessão de Nossa Senhora da Pietá.

A compaixão, em Edmundo, era um traço marcante. Não era indiferente diante da miséria humana. Procurava socorrer os doentes dentro de sua possibilidade para aliviar um pouco o sofrimento, levando-lhes medicamentos, alimentos e roupas, quando necessário, sendo para todos o Bom Samaritano. Tinha uma postura solidária em relação ao povo sofrido.

Edmundo pertencia a uma das camadas sociais de maior instrução e poder aquisitivo, mas ao se deparar com a doença e com as crianças órfãs, com a miséria que vivia o povo, reagiu com sentimentos de profunda compaixão. Muito sensível diante da trágica situação não permaneceu somente na emoção e no pesar. Tinha por princípio concretizar a sua compaixão em obras de misericórdia e um dos frutos foi a fundação de Amparos para as crianças desamparadas e a fundação de um pequeno hospital para acolher os doentes abandonados.

A compaixão transformada em misericórdia, para com qualquer criatura, era um elemento essencial e profundo da personalidade espiritual de Edmundo. Percebemos isso em sua ampla visão de mundo, por exemplo,  seu modo de ver os pássaros, como ele os alimentava com migalhas e os observava, como enfrentavam o gelo. Numa noite veio uma nevasca e os passarinhos se refugiaram na janela do quarto de Edmundo batendo com o bico no vidro como que pedindo comida. Tudo o que o cercava, ele tratava com cuidado e carinho.

A principal atenção estava voltada para a população pobre e a desmoralização da dignidade humana. Num contexto de pobreza e abandono, Edmundo prepara moças para ajudar na educação das crianças. Ele mesmo dizia: “Através das crianças despertamos os valores inalienáveis para a vida de família e de sociedade”. “Pelas crianças é preciso começar a regeneração da humanidade”. Essas jovens, que o ajudaram no cuidado das crianças, foram o início da Congregação, as primeiras Irmãs.

Edmundo também se preocupava com as principais necessidade do momento: trabalho para o povo e valorização da mulher. Dizia: “ ...  a mulher e o povo são a viva religião, a viva ligação da criatura com o Criador, do mundo visível com o mundo invisível... a mulher é o pilar do círculo familiar... a mulher é a sacerdotisa... imagem da Mãe Divina”.

 Edmundo com as primeiras Irmãs, reuniam mulheres, nas noites de formação, e com isso pretendiam auxiliar no aperfeiçoamento da personalidade de cada uma, oferecendo elementos para um aprofundamento da formação religiosa, convencido de que, através da santificação da mulher, se pode educar melhor as crianças e os jovens.

Edmundo era perspicaz e sensível às necessidades do povo. Nunca assumia uma atitude de indiferença ou desinteresse. Colocava seus dons, seus talentos, sua saúde, suas forças, inclusive seus bens materiais, demonstrando a grandeza de amor ao próximo no serviço aos mais necessitados. Foi um exemplo de servir desinteressado e gratuito. Dizia que para poder entregar-se ao serviço evangélico é preciso libertar-se de si mesmo, tornar-se livre e disponível, pois esse serviço exige o sacrifício da própria vida. “Quem quiser me seguir renuncie a si mesmo...”(Mc 8,34).

Edmundo cativava a todos, católicos e não católicos, pela sua atitude de coerência entre vida e fé, entre palavra e ação. Era um verdadeiro evangelizador. Anunciar o Evangelho do Reino não era uma tarefa opcional, mas parte integrante da sua identidade cristã, expressão testemunhal da vocação. Dizia que o amor no servir deve ter um traço, uma marca especial: DOAÇÃO. Inspirado no Evangelho, experienciou na própria vida e missão a dinâmica de ser luz para o mundo. A partir de sua experiência e observando a atitude de servir das Irmãs ele afirmou: “Toda nobre alma é como uma vela que a si mesma consome e aos outros ilumina”. Ao fazer esta comparação ele meditava: “Uma vela quando acesa, queima, desgasta-se, derrete-se, para que possa ter sentido e valor seu existir”.

Valorizava a simplicidade e a humildade como virtudes basilares, sabia abaixar-se, ser humilde para servir melhor os outros, não desprezava ninguém.

Em seu leito de morte reuniu as Irmãs e a elas deixou seu Testamento. Assim disse Edmundo: “O que sempre recomendei, hoje repito: Recomendo, sobretudo, a simplicidade. Enquanto esta permanecer na Congregação, nela haverá sempre a bênção Divina. Se eu tivesse aqui reunidas todas as Irmãs, a elas diria o que São João morrendo disse aos seus discípulos: Meus filhinhos amai-vos. E eu também repito isso: Irmãs minhas, amai-vos e amai-vos. O resto o Espírito Santo vos ensinará”.

Este Homem bom e cordial teve uma profunda Confiança na Divina Providência. Edmundo experienciou o abandono total nas mãos de Deus. Em seu Diário encontramos muitas expressões dos sinais da ação de Deus na vida cotidiana.

O Fundador Edmundo Bojanowski deixou um grande legado espiritual a nós suas Irmãs, e a todo cristão. Somos muito gratas por tudo o que nos deixou e buscamos viver segundo suas orientações e principalmente conforme seu exemplo de vida.

LOUVAMOS E BENDIZEMOS PELA VIDA DO NOSSO PAI FUNDADOR!

 

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