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Domingo das Ramos e da Paixão do Senhor

Transformadas pela esperança

 Ir. Marie Desanges Kahindo Kavene, Servita de Maria.

«Quem é este?» (Mt 21,10) Uma leitura que nos abre para acolher a Palavra de Deus em nossa realidade humana

Ao lermos lentamente este relato da entrada de Jesus em Jerusalém, várias atitudes paradoxais revelam a beleza e a fragilidade de nossa humanidade: a força e a mansidão se entrelaçam na postura de Jesus, rei humilde, montado em uma jumenta. Entre a aclamação e a incompreensão, instala-se uma tensão: a identidade de Jesus suscita um interrogativo entre os habitantes de Jerusalém: «Quem é este homem?».

Isso ecoa em João 1, 11: «Ele veio para a sua casa, e os seus não o reconheceram». Os humildes e os pequenos percebem o extraordinário no ordinário: este homem «é o profeta Jesus de Nazaré». E eu, sei perceber a ação de Deus na vida dos outros? Quais são as sementes de vida que germinam e se desenvolvem na minha vida? Quem sou eu e onde estou no meio desta multidão? Estou à margem desta alegria expressa? Que oferta posso depositar no chão, que ramo devo agitar, que palavras de esperança devo ouvir para comungar verdadeiramente com esta alegria?

Uma palavra para meditar e ouvir na minha realidade como mulher

Diga à filha de Sião: «Eis que o teu rei vem ao teu encontro». Esta figura bíblica não é exclusiva do feminino. A Bíblia utiliza frequentemente imagens femininas para falar do povo de Deus. A expressão “a filha de Sião” expressa ao mesmo tempo a ternura de Deus e a vulnerabilidade do povo escolhido por Deus, cuja figura se cumpre em Maria de Nazaré, que compartilhou e levou a esperança de seu povo. Portanto, ninguém deveria ficar excluído dessa esperança. No entanto, ao nos aprofundarmos nessa narrativa por meio de rostos muitas vezes ausentes do texto, podemos perceber as mulheres de Jerusalém, discretas, mas sempre presentes, que guardam em segredo profundas expectativas: paz, justiça, cura, reconhecimento, respeito por elas, por seus filhos e por seu povo. Algumas delas vivem à margem, na precariedade, na invisibilidade, na solidão do isolamento… Sua esperança silenciosa, como uma semente enterrada na terra, é frágil, mas viva. Ela ressoa com a mesma atitude de Jesus, que não se impõe, mas se oferece aos desfigurados da história para restaurar sua dignidade. E eu, me reconheço nesses rostos anônimos? Qual é a minha esperança, como mulher, para mim mesma, para os excluídos, para a Igreja e para o nosso mundo?

Por uma feminilidade que se transforma em oração e presença nos momentos cruciais

«Hosana». Os gritos de júbilo não durarão muito; a relação logo será posta à prova: entre a traição, as zombarias, a solidão e os sofrimentos que Jesus enfrentará, a presença das mulheres representa uma humanidade ainda capaz de enfrentar a adversidade e de acompanhar a vida, mesmo em circunstâncias extremas. Em meio à violência que se abate sobre Jesus, a humanidade continua capaz de se colocar do lado da vida por meio de uma presença feminina frágil, mas constante, fiel e eficaz. Na manhã da Páscoa, o encontro das mulheres com o Crucificado-Ressuscitado se anunciará como um acontecimento que muda o curso da história de cada pessoa e de toda a humanidade: a morte é vencida pela Vida. E eu, que palavra de esperança posso oferecer aos corações quebrantados.

OBS: Texto escrito pelos Teólogos da UISG (União Internacional dos Superiores Gerais)

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